terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A PROVA DO PAS É MUITO RUIM

A PROVA DO PAS É MUITO RUIM
Procurarei aqui analisar apenas a avaliação em si. Deixarei para lá, todas questões anteriores ao modo de ingresso na UnB.
A prova do PAS é muito ruim.
Vou tentar justificar.
Questões tipo A - ITENS DE CERTO OU ERRADO (cerca de 80% da prova)
São questões elaboradas de uma tal forma que a confusão é imperativa. Para se ter a dimensão de sua imprecisão, meu filho (que fez o PAS 1) corrigiu a prova por dois gabaritos de duas escolas da cidade, que publicizam seu gabarito extra-oficial. Cada uma delas, tem mais de 15 anos de trabalho na cidade, se orgulham das suas aprovações, cobram mais de 2 mil reais por mês e divergiram de gabarito com uma margem absurda: a nota obtida pela correção, segundo o gabarito de uma delas, foi simplesmente o dobro da outra.
Na minha opinião, só há duas respostas para isso: ou a prova é muito ruim, ou os professores são muito ruins. Prefiro acreditar na primeira.
Questões tipo B
Ou é 8, ou é 80. A questão tipo B tem baixo poder discriminativo. Sabe por quê? Se o aluno tiver qualquer noção ou desenvolvimento parcial da questão é a mesma coisa que não saber a questão, que sequer ter olhado para ela. Nivela por baixo os candidatos. É elitista demais. Não serve como diapasão.
Questão tipo C
Quatro alternativas ou pseudo-tipo-A?
Definitivamente, esse pra mim é o maior equívoco básico do CEBRASPE (instituto que faz o PAS). As questões tipo C são, em sua maioria, quatro itens tipo A. Chega a ser infantil esse procedimento de construção de questão. Leiam o Heraldo Vianna, por favor.
Vejam o exemplo abaixo, uma questão de biologia da segunda etapa, do último dia 03:
A respeito dos experimentos apresentados e considerando as propriedades dos fito-hormônios, assinale a a opção correta (...)
A No experimento I, (blá-blá-blá)
B No experimento II, (blá-blá-blá)
C Os experimento I e II, (blá-blá-blá)
D No experimento II, (blá-blá-blá)
Encurtei o papo, mas o papo é triste: temos quatro situações diferentes e cada uma delas não conversa com as demais. Ora, nesse caso o aluno precisa julgar cada letra de forma independente. Assim, vejam bem, se o aluno achar que todas estão erradas (no seu juízo), ele erraria apenas um item dos quatro, certo (haja vista que existe apenas uma correta)? Faria dois pontos. Agora, achando que todas estão erradas, ele ficaria com duas opções:
a) deixar em branco e então não ganharia nada;
b) escolher uma opção, teria 25% de chance de acertar e fazer os mesmo dois pontos.
Cadê o síndico????
Questão tipo D
Outro problemão. Corrigir questões abertas sempre é pra lá de discutível. Corretores diferentes, notas diferentes. As vezes, e isso já foi demonstrado, o mesmo corretor em momentos diferentes, dão notas diferentes. Como assegurar a lisura e a meritocracia do processo???
Para não dizer que ajo de forma niilista, que chuto tudo, que sou de tradição crítica, que sou chato, sugiro:
A. Uma cartilha de produção de itens, discutida em plenária, por comissão mista - representação dos alunos, CEBRASPE, UnB, Professores do ensino básico e controle social.
B. Oficina de itens aberta
C. Revisor externo de itens
D. Prova com apenas questões de múltipla escolha com uma situação-problema.
E. Fim do PAS para cursos de menor procura (chega de usar o PAS como forma de arrecadação!). Nesses cursos, far-se-iam exames de habilidade específica (como há acontece para alguns cursos), para cada área - digital e/ou presencialmente.
F. Redução da matriz de referência e consequente redução de conteúdos abordados.
POR UM NOVO LUGAR PEDAGÓGICO

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