terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Reprovar pra quê? NÃO DEIXE SEU FILHO PARA TRÁS!

Reprovar pra quê? NÃO DEIXE SEU FILHO PARA TRÁS!
(MESTRES: vamos ensinar sem provas!!!)
Trata-se do que eu penso.
Todo ano no Brasil, são reprovados 3,2 milhões de alunos, 11,5% do total do alunado. Em repetência, gastam-se quase 10 bilhões de reais por ano.
A repetência no ensino fundamental é maior que a evasão; já no ensino médio, é o contrário: a evasão é maior que a repetência.
Ocorre que a repetência no ensino fundamental tem efeito dominó: antecipará inevitavelmente a maioridade dentro dos muros da escola, ou seja, reforça a tese de que: Reprovar, NO FINAL DAS CONTAS, é dizer ao aluno que ele não precisa do ENSINO MÉDIO.
Claro que a evasão escolar no ensino médio se dá também por outras questões. Vamos a um raio-X do Brasil.
Outras questões para evasão são:
gravidez na adolescência (546 mil em 2015 - quase 20% de todos os partos), morte (especialmente de jovens negros, 318 mil nos últimos 10 anos) e trabalho (temos quase 3 milhões de crianças e adolescentes em situação de trabalho no Brasil!!)
Ninguém fica na escola regular depois dos 18 anos.
Não tem sentido.
Esse é só mais um motivo para esse absurdo chamado reprovação.
Chamem o Vigotski e vocês entenderão que essa ideia de "série" e "ano" é uma invenção. Então é absolutamente artificial dizer que o aluno não pode sair do sexto ano e ir para o sétimo ano porque ele "não dará conta". Isso, com todo o respeito, é um exercício pretensioso e carregado de incerteza e de vidência (como se todos os outros não o fossem...). A nota baixa em determinado componente deveria ser apenas um identificador para um ato personalizado de correção e resgate. Mais nada.
O ensino tradicional deveria seguir para o divã, conversar com o analista, perceber seus equívocos, e aceitar o imperativo de que "educar é impossível". E dialogar mais.
Estamos produzindo sim, uma legião de alunos estressados, doentes, sem colocação social, sem preparo para o trabalho, sem autonomia, sem dinheiro, sem silabário completo, sem coragem, sem poder crítico, sem iniciativa de se construir.
A reprovação para o aluno é só mais um abalo narcísico na formação da identidade das nossas crianças e dos nossos adolescentes. A conta logo chegará, não só para as famílias, mas para a sociedade.
A escola deveria ter alunos entre 6 e 17 anos, em ato contínuo e pronto.
Depois disso, ele é cidadão, quer queira ou não.
Quantas vezes escutei em conselho de classe (outro absurdo do sistema educacional) "fazer o ano de novo vai fazer bem pra ele..." MENTIRA! Faz bem para profissionais egoicos, para o bolso de alguns e serve para deixar claro, aos sadistas e fascistas de plantão sobre "quem é que manda aqui". Para o aluno e para a família, poderá será um desastre.
Aos meus amigos professores, eu lanço um desafio: tentem ensinar nossos alunos sem o objetivo da prova!!! Será uma experiência gratificante, tenham certeza!! Não tenham medo do sistema!! Não se acovardem, se acreditam!!! Já disse antes: "a prova é a palmatória ressignificada".
Alguém vai dizer: "sem prova, a escola vira uma baderna! Um lugar onde ninguém estudaria! Onde ninguém aprende nada!"
Respondo.
A escola não é uma baderna porque é uma instituição totalitária, que pune a baderna. Se não fosse seu estatuto de ortopedia moral, a escola seria uma baderna. A prova é só uma instrumento de ficção para manter a ideia condutora da massa, ora chamada de alunos. Por dentro, o aluno faz baderna. além do que, perguntaria: o que é baderna? Que eles saíssem de sala? Se misturassem sem a preocupação da faixa etária? que eles falassem entre si? que eles pudessem assumir outras posições organizadas na aprendizagem? que eles possam criticar? emitir a opinião dele? Opa!! Tô dentro dessa baderna!!
Sobre estudar e aprender, fiquem tranquilos: na situação atual ninguém está aprendendo nada, ou no máximo, esquecerão tudo em breve. Ou seja, nada vai mudar. Com baderna ou sem baderna. Todo mundo sabe disso: pais, professores, diretores, alunos, cães, periquitos, etc.
Reprovar significa desqualificar para o prosseguimento. É reduzir a história do indivíduo em uma perspectiva indutivista, uma perspectiva altamente combalida por diversos pensadores (leiamos Popper, por favor). Indutivista é aquele que cartesianamente acredita que o que passou afirma positivamente o que virá.
Reprovar significa antecipar o não-vir-a-ser do cidadão.
Reprovar é inventar-lhe o pecado.
Não temos esse direito.
Pais, entendam: a escola atual tornou-se um lugar que é pouco mais que um lugar de tutela de menores.
Tutela por tutela, não deixe seu filho para trás.
Não deixem seus filhos repetirem de ano!
Lutem!
Desinventem a reprovação, por favor!!!
POR UM NOVO LUGAR PEDAGÓGICO

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